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José Humberto Henriques é um dos escritores mais originais da atualidade – em todos os sentidos que a palavra possa conceber. Embora seja médico reconhecido e professor atuante, Henriques dedica boa parte de seu tempo ao relacionamento com a Literatura, não só como criador, mas também como apreciador dessa Arte. Com 26 livros já publicados e mais de 100 outros volumes prontos, o escritor trabalha com todos os gêneros da Literatura: poesia, crônica, conto, novela, romance, dramaturgia e ensaio. Ganhador de cerca de 100 concursos literários nacionais e internacionais, o escritor mineiro parece ser o maior fenômeno do mundo da Literatura dos últimos tempos. |
Origem José Humberto da Silva Henriques nasceu em 17 de dezembro de 1958, no município de Brejo Bonito, região rural do Alto Paranaíba, no estado de Minas Gerais. É o terceiro filho de D. Lezir Maria da Silva e do fazendeiro Mário Henriques. Segundo depoimentos de pessoas ligadas ao escritor e palavras dele mesmo, viver o período da infância nesse lugar, no meio da natureza e da maior normalidade possível, garantiu a matéria-prima para a construção de sua obra. Calado e observador, Henriques era um garoto comum. “Até hoje sou assim, comum, enfiado na natureza; não mudou nada, apenas estudo um pouco mais”, afirma.
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Formação Henriques realizou os primeiros estudos numa escola primária de Brejo Bonito. Em 1969, mudou-se para a cidade de Uberaba, localizada na região do Triângulo Mineiro de Minas Gerais, onde concluiu o ensino médio no Colégio Diocesano da cidade. Em 1981, graduou-se em Medicina pela Faculdade Federal de Medicina do Triângulo Mineiro, com residência em Cardiologia pela Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto e em Cardiologia Pediátrica pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia do Estado de São Paulo. Em 1994, tornou-se Mestre em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Sua tese de Mestrado versou sobre velocidade de fluxos sangüíneos e física aplicada ao assunto. Logo depois, viveu um ano entre os índios Xacriabás e conheceu de perto várias outras tribos, como a dos Tapirapés, Xerente e Apinajés. Seu objetivo era recolher e pesquisar material genético para a elaboração de sua tese de Doutorado. Os estudos visavam à determinação polimórfica de colesterol e ECA (Enzima de Conversão da Angiotensina), e também ao estudo do Polimorfismo da Apoliproteína B. Sua presença entre os Xacriabás foi tão marcante que recebeu deles o título de Cacique Honorário.
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Em 2001, concluiu o Doutorado em Clínica Médica pela mesma Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, desta vez atendo-se à genética molecular – “Estudo sobre polimorfismo genético em determinação de lípides circulantes”. Hoje, José Humberto Henriques atua como cardiologista-pediatra na cidade de Uberaba e como professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.
Foi por volta dos 10 anos de idade que José Humberto Henriques teve os primeiros contatos com a Literatura, por meio do estudo dos livros clássicos e de línguas. O interesse por ambos permanece até hoje, numa determinação tenaz e rigorosa. Leitor voraz, Henriques afirma passar a vida inteira dentro de bibliotecas. “Menos quando vou pescar”, ele mesmo corrige. Possui um acervo imenso composto por exemplares de vários gêneros da Literatura Universal, incluindo algumas edições raras e em versões originais. É versado em algumas línguas, como Inglês, Alemão, Francês, Italiano e Espanhol, além de estudar outras como Árabe, Japonês e alguns dialetos indígenas. Dedica-se atualmente ao aprendizado do Húngaro e afirma ser essa a língua mais difícil do mundo. Apesar da grande dedicação ao estudo de línguas, Henriques é modesto: "O Millôr já dizia que não se pode ser fluente em mais de uma língua. E a minha língua é o Português". Com cerca de 15 anos, escreveu seu primeiro livro. De acordo com o próprio autor, era um arremedo de poesia com influências de poetas brasileiros modernistas. Aos 23 anos, encontrou-se com Paulo Mendes Campos em um barzinho no Rio de Janeiro para mostrar ao escritor e jornalista mineiro um dos livros de poesia que havia composto. Paulo Mendes Campos disse que havia ali um talento, mas cujo potencial ainda não estava suficientemente desenvolvido, que era preciso algum treino e amadurecimento. Henriques nem pestanejou: queimou o livro e reescreveu o que julgou ser de qualidade, transformando os poemas em contos. A amizade entre os dois escritores permaneceu, mas quase todos os outros livros que estavam escritos na época também foram destruídos, apenas escapando alguns poucos pelos quais Henriques sentia mais estima.
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Somente em 1994 publicou um primeiro livro. O Livro das Águas foi escolhido para a estréia: uma reunião de poemas cujo tema – águas – acabou por preponderar em seus escritos durante muito tempo. Na mesma época publicou outro volume de poemas, O Úbere da Cidade, conjunto de textos com ligação evidente com a cidade de Uberaba. A partir de então, começou a colecionar prêmios literários em todo o país, alguns no exterior. Versátil, em seguida publicou um livro de contos – Cavaco de Costela – e, um ano depois, o primeiro romance, Geomorfosintaxe do Riso. Considerado hermético pelo público, este último acabou por tornar o escritor incluído no rol dos “difíceis”, pecha que ele rejeita de maneira veemente.
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Desde essa época, tem publicado livros com regularidade, sendo 26 volumes ao todo. Trabalha com a crônica, o conto, a novela, o romance, o ensaio e a poesia. Mantém uma produção exaustiva e gigantesca, de grande fôlego, com cerca de 150 livros inéditos prontos para edição. Hoje em dia, dedica-se mais aos romances e afirma que a Poesia é, deliberadamente, o modo mais difícil de expressão em todas as Artes Plásticas. Apesar disso, produziu cerca de cem livros de Poesia que variam na contingência de seu conteúdo. Embora admita a versão dos e-books, Henriques não aceita a evidência de que os livros em formato convencional deixem de ser prioridade em sua produção.
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